- tudo no lugar?
- tudo a [re]começar…

Quino e o trilho de trem
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Quino e o trilho de trem
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Sempre me atraí pela estética surrealista da Betty Boop. Já fui, inclusive, associada algumas vezes ao desenho, tamanha identificação.
Há poucas semanas, junto ao Rafa, finalizei um programa de tele sobre ela e, acredito eu, ter sido satisfação pura para ambos. Ele, também amante e colecionador da Betty, me forneceu como deleite um recorte de míseros 50 episódios da danada. Isso porque o Rafa tem a coleção inteira da dita cuja.
Já conhecia alguns desenhos, mas me senti criança olhando aquelas maravilhas como “pesquisa”. Assim sendo, nosso programa se desdobrou nessa mocinha judia e polêmica de cinta-liga. Tudo muito B-A-C-A-N-A.

Robert Smith also loves Betty
Aproveitei minhas tão sonhadas, mas breves férias, para devorar mais curtas dela!
A Betty foi banida por 48 anos nos E.U.A., numa suposta defesa pela moral e os bons costumes. Nada dela condizia muito com os adeptos ao olhar da família estadunidense do “American Way of Life” da época. É, mas isso não impediu que a personagem se tornasse um ícone de poder feminino em décadas pós-guerra…
…e hoje competisse a imagem acirradamente com camisas de Che Guevara em lojas de sourvenis! Eu só imagino como os cabelos do Conselho de Classificação dos Estados Unidos de 30 ficariam em pé, caso os profetas da boa moral previssem isso após 70 anos.
Bem, um dos episódios que mais me desperta a atenção e está na minha lista top top é o postado logo abaixo. Chama-se “Ha Ha Ha”, de 1934, e foi eliminado da mídia por alegação de consumo de drogas – no caso, o divertido oxido nitroso do filme.
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Não é difícil encontrar ainda grandes nomes do jazz – galerinha também chegada em afetamina, bolinhas e adjacentes – fazendo parte de episódios, como o que usamos no programa de tele. Esta última referência citada é a do Minnie de Moocher, que tem, somente na abertura, participação de um tal John Coltrane, um outro Louis Armstrong e um menino Cab Calloway. Tá bom ou quer mais?
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O que Sade produz são pornogramas. O pornograma não é apenas
a marca escrita de uma prática erótica, nem mesmo o produto de um
decalque dessa prática, tratada como uma gramática de lugares e de
operações; é por uma nova química do texto, a fusão (como que sob
o efeito de uma temperatura ardente) do discurso e do corpo: (“Aqui
estou completamente nua – diz Eugénie às suas professoras – dissertai
sobre mim o tempo que quiserdes”), de modo que, atingindo esse
ponto, a escrita seja aquilo que regula a troca do Logos pelo Eros,
e que seja possível falar da erótica como gramático e da linguagem
como pornógrafo.
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Roland Barthes in Sade, Fourier, Loiola. Lisboa: Edições 70, 1979.

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Em alguns estalos, realizei que força, leveza e cabeça boa são o melhor remédio para se prevenir das pedras e levar o fluxo de pinceladas adiante…
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Estive observando antigos bebês aprendizes e encontrei o texto abaixo de 2005. Concebido em parceria, em um momento que me fez relembrar a “roda moinho” da vida.
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Tudo era rosa, bem rosa, todas as coisas estavam em seus devidos lugares: a mesa rosa com quatro cadeiras no meio da sala, sobre ela uma chaleira rosa a qual insistentemente me dirigia para checar a temperatura do chá e verificar se estava devidamente posta sobre a mesa, uma atitude inexplicável e repetitiva. Mais adiante se encontrava um lindo sofá rosa acompanhado de enormes cortinas rosas e uma televisão no centro, não me admirando que também fosse rosa, formando uma espécie de sala de estar.
Eu corria pela casa carregando uma boneca, Anita, a quem eu chamava de filhinha. Ela tinha sete meses, mas me dava um trabalho infernal, principalmente para uma menina como eu, de apenas seis anos. Acho que por isso eu vivia na cozinha, preparando seu leite. Na verdade aquele lugar rosa me agradava muito, meu fogão rosa, minhas panelas e principalmente minha enorme geladeira rosa. Satisfazia-me a sensação de estar cozinhando para meu marido e, mais ainda, pensar que estava cuidando da casa enquanto o “Ken” não chegava. Ele era um homem maravilhoso, contudo trabalhava muito e, portanto, eu fazia tudo para agradá-lo.

"Reminiscing in the window II", de Lesley G. Aggar
Neste momento a realidade sombria invade meu quarto. Encontro-me com o espelho, vendo e não reconhecendo a face diante de mim. Numa busca desesperada por aquela menina, deparo-me com olhos marcados. Esta visão me torna pequena diante do mundo, deixando-me amedrontada para enfrentar a verdade presente. Olho para o lugar na cama, ao meu lado, vazio. O lençol remexido indica alguém ausente, confirmando a saída ao trabalho por Joaquim, devotado madrugador da profissão. Fico ali em meu quarto, escuro, fitando à minha esquerda a foto do casamento com Joaquim, meu “Ken”, até mergulhar na fantasia mais uma vez.
O desejo que isto acabasse foi concretizado. Sua ida paradoxalmente fez reluzir uma imensa felicidade interna. Alegria vermelha, instigante, volúpia, fazendo a escuridão do quarto transformar-se em rubro. Seu sangue trouxe a carta de alforria, sempre adiada.
O vermelho foi se intensificando, a ponto de encandear a vista, denunciando pontos escondidos pela penumbra. Eu sou gorda, é fato; mas sou humana, isto também é fato. Depois de décadas acuada por uma prisão domiciliar e a falsa ilusão de felicidade, este mísero e constante problema não poderia atrapalhar mais. A beleza é inconstante. Querer achar uma pinta de Crawford em meio à escuridão pode cegar uma mulher, que mesmo aos cinqüenta, é sensual. Mas nunca uma aos sessenta.
Esta descoberta modifica o tom do vermelho, que agora me torna carnal, sexual. O olhar marcado, também vermelho de ressaca, agora experiente, salienta o órgão de maior luxúria do meu corpo: a mente.
Vejo a porta do meu quarto e decido, enfim, abri-la. Ela parece tão distante, mas sempre subtendida no desejo de libertação. A aceitação a torna cada vez mais próxima e, ao aproximar-se dela, notando a luz que a transcende, pacificadora, me dirijo à maçaneta…
- “Trimm!!!”.
…acordo e percebo, em meu quarto escuro, o lençol vazio remexido ao meu lado, deixado por Joaquim, sempre ausente.
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Danilo Franco e Maria Carolina Jardim
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Colé que é
Abrir os olhos e sentir a fresta do filme da noite anterior, a conversa e o papo descompromissado daquele dia tão leve e contínuo em sua essência. Sambar, ou ouvir choros o dia todo. Sorrir, se amarrar nas surpresas, curtir o que seria inadmissível.
Colé que é
Caminhar na areia e na grama em uma mesma tarde. Ouvir os pássaros e as buzinas, acender um cigarro pra relaxar. Compartilhar o instante, ou não. Imaginar que todos os momentos só são generosos se associados tais quais.
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Metade da minha vida compartilhei com a senhora insônia
“ê lê lê / ê laiá”
Mas a brincadeira passou da hora de dormir e como tem me cansado…
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Assim sendo, só uma alma (supostamente) descansada, como a do Henri Salvador, pra me acalmar nas noites em claro. O vídeo abaixo é da música “Que le mot soit Perle”, uma das faixas do primeiro CD das irmãs de Camarões, Les Nubians, com o qual o Henri faz uma participação. O disco chama-se Princesses nubiennes (1999):
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De fato, acho essas garotas meio bregas, estilo “picolé de chuchu” – sem sal. Pelo menos, algumas canções se salvam e fazem as badaladas noturnas passarem mais rápido. É o que vale!
Cultura inútil e de umbigo: descobri que o Henri e eu nascemos no mesmo dia, com o detalhe que vim ao mundo 70 anos depois dele.
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A chuva torrencial que inundou a cidade esses dias me trouxe mais algumas pílulas no estoque hipocondríaco e dois espirros a cada 10 segundos, exatos.

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Mesmo assim, cabeça dura, decidi espairar e pedalar com a Maroca pela cidade no último Domingo. Pus meu velho casaquinho rosa, cansado de guerra ainda dos tempos do colégio (!/?), mas extremamente confortável e fofo, um saco de batata frita na mochila e partimos adiante.
Nunca pensei que o vento frio e a mudança da paisagem acinzentada da Orla pudessem se tornar tão bonitos. Até o orvalho caindo sobre nossas cabeças refrescava a alma de qualquer mente cansada. Fomos pela ciclovia da Coroa e voltamos por dentro da Farolândia. Foram mais ou menos três horas de pedal e conversa pra botar em dia. A Maroca tá morando no Rio e nos últimos anos se tornou a companheira perfeita de saídas sem rumo, ou êxito. Tem cara de mocinha sossegada, mas com golpe de aikido já botou ladrão pra correr.
Claro, no final das contas nossa aventura não poderia dar em outra, pelo menos pra mim: cama… mas receber visitinha do preto e cheiro de melhoras durante a noite revigorou qualquer enfermidade.
Falando em nego, compreendi que ganhei mais que um presente nesse ano de mudanças. Rumo: eu direção sul; ele, direção nórdica. O apoio, porém, agarra-se ali, de mãos dadas. Dentre os diversos recados, textos, olhares, esse menino precioso me fez perceber o valor de uma amizade permeando um casal. E eu sei que, independente dos caminhos, nossa admiração mútua é eterna… vi antes mesmo de nos depararmos com o 2º estágio (rs!). Em outras épocas, ele falava, eu sorria, que nem boba, sem assimilar que aquilo pudesse já ser algo maior e transcendente. Até que em um dia de verão, em meio a baiões e samba de pareia, no Festival de Artes de Laranjeiras, meu rosto denunciou, ruborizando. Descobri que piadas envolvendo roda gigante e maçã do amor podem nem ser tão pueris assim.
Meu corpo falou por si, me pôs em xeque. Ainda bem! Se todos os riscos nos deixassem em bons lençóis como o meu atual, o mundo seria bem mais tranqüilo, assim como o jeito do moço em pauta. A admiração só fez crescer. Parece moleque de vista, mas mostra-se senhor de versos em suas empreitadas.
Menino manso, de barba mal feita. Sociólogo sério, de mente inquieta. Pode até enganar pelo andar, mas não deixa suas convicções por menos, nem que para isso certa sonsice tome feição.
Estamos preparando novo lar, simples, e muito crentes na proporção boa disso tudo. Essa semana alguns amigos compartilharão esse momento de mudança de eixo e vida nova conosco. “Home, sweet new home, honey!”
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Estalos da morena,
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….e das bôuas!

Acontece quarta-feira, dia 20 de maio, na Sociedade Semear, o lançamento do filme “A Eterna Maldição do Cacique Serigy”. O curta-metragem foi idealizado e dirigido por Alessandro Santana (Cabelo), Bruno Monteiro (Brunão) e Mauro Luciano (a lenda do rock sergipano). Tudo rodado em um orçamento de nada menos que 30 pilas!
Cheguei a dar uma olhada no filme, na ocasião ainda sem áudio, e foi perceptível a referência ao cinema marginal. É possível ainda perceber um bom punhado de escrachamento, mas, acima de tudo, um viés político muito forte e denunciador das vendas históricas que o sistema regional vem nos pregando; tudo com muito escárnio… afinal, isso so pode ser levado na piada mesmo.
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“Um filme sobre um mito do terceiro mundo”, é o que se promete. De repente isso vira cooptação grupal:
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